textos

Wanda Klabin: “O seu pensar artístico traz uma espécie de tonalidade experiencial e atua como um conjunto visual que configura diferentes áreas estéticas. Scovino mergulha em um território ambíguo, uma imersão quase litúrgica, como uma oferenda, um ato religioso, que mescla erotismo, rituais e incorporação de motologias como um meio de conhecimento e como uma forma de estar no mundo. Busca um olhar interativo com o espectador e ativa uma pulsão pelo caráter hibrido de seu trabalho pois é uma forma de atuação estética vinculada ao campo da performance.” RJ, 2015.

 

Orlando Maneschy:  Arteriais | revista do ppgartes | ica | ufpa | n. 02 Ago 2015

SALVE, SALVE TODOS OS CABOCLOS DE SCOVINO!

 

“Não mexe comigo / Que eu não ando só / Eu não ando só / Que eu não
ando só / Eu tenho Zumbi, Besouro, o chefe dos Tupis / Sou Tupinambá,
tenho os erês, caboclo Boiadeiro / Mãos de cura, morubixabas, cocares,
arco-íris / Zarabatanas, curare, flechas e altares / A velocidade da luz /
O escuro da mata escura / O breu, o silêncio, a espera (…)”
Carta de Amor – Maria Bethânia.
Conheci a pessoa Arthur Scovino antes de o artista emergir, mas lá, já o reconhecia, lá nos reconhecemos; dessas coisas boas e raras que acontecem poucas vezes na vida. Era 2011, durante o Festival Performance Arte Brasil (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) e ficamos rapidamente amigos. De lá para cá, tive a oportunidade de acompanhar sua produção, trocar ideias, compartilhar experiências, cantar junto…
Neste portfólio, venho apresentar um pouco do que Scovino traz ao mundo e ativa para nossa alegria.
O projeto Levando os elepês de Gal para passear… (2011), foi o que o tornou conhecido no país, por meio de uma reflexão acerca da história da música brasileira, com a re-inserção dos “Lps” (discos de vinil Long Plays) de Gal Costa na paisagem da cidade. Levou-os para passear, em performance, convidou pessoas para se relacionarem não só arrebatando seus “Lps”, mas por meio de fotos, vivências, texto etc., para trazê-los ao lugar do fluxo da vida, e o trabalho desdobrou-se em várias experimentações.
E foi em Salvador, no Recanto dos Aflitos, que Scovino encontrou, na experiência viva, o(s) caboclo(s) que passaria a acompanhá-lo! De lá, em meio a experimentos ritualísticos e observação da natureza, obras emergiriam. Foi ali, na Ladeira do Aflitos, que observou e criou suas borboletas, saiu com seus cortejos, e germinou ideias. Nhanderudson, Caboclo dos Aflitos, Caboclo Pena Rosa, Caboclo Samambaia, Caboclo Borboleta irromperam dali para realizar suas missões no mundo…
Tudo partiu do Recanto dos Aflitos e irradiou pela cidade… A delicadeza de olhar para as coisas do mundo, para as pequenas coisas, para a transformação de uma crisálida… e perceber a alquimia no mundo… Assim foram brotando suas obras…, em sintonia com as coisas da vida. Pude observar sua casa, senti-la… vi borboletas nascendo e voando imediatamente em direção a Scovino, que me contava que isso acontecia por conversar tanto com elas. E eu vi!!! Da mesma forma, como pude assistir à sensualidade e força do
Caboclo Samambaia com toda sua natureza selvagem. Percebi a sutileza da performance do salto do Caboclo dos Aflitos, que se dá em um breve e intenso segundo… Também fiz ritual do Caboclo Pena Rosa, abrindo seu baú e lançando suas penas ao ar, sobre minha cabeça, rogando as melhores energias, como orientou Scovino: “pedidos de questões emocionais”. Conheci Nhanderudson, que está trabalhando pelo coração do Brasil e pude, ainda, consultar o Oráculo Caboclo, tomando a cachaça preparada pelo artista,
abrimos o livro Encontros/Helio Oiticica, sobre O Guarani, de José de Alencar, com o “pau –de-resposta”, para ver o que ali nos indicava… É na mestiçagem que tudo se dá. Sagrado e profano mesclam-se, em meio a vivências e trocas sensíveis que se materializam dentro e fora da Casa de Caboclo.
Há um irradiar de um “não sei o quê” que emerge de suas ações, de suas obras… algo telúrico…, algo que não se pode pegar porque é intangível, mas pode-se ver e experimentar. E como é bom poder sentir com os trabalhos de Scovino… Sutil e intensa, esta produção nos conclama a olhar mais além, para o que está por detrás das imagens, e buscar na delicadeza com o outro, nos pequenos gestos, um restaurar para a própria vida.
Orlando Maneschy
Dezembro de 2015

 

José Bento Ferreira – Revista Bahia Ciência:

“…apropriação do universo de referências religiosas não ocorre sem certa resistência às regras inerentes a toda religião. “Performance é ritual”, afirma Scovino, que se diz fascinado por casamentos e batizados. Na Igreja teve o “primeiro contato com a arte”. A livre manipulação dessas referências explicita aquilo que há de artístico nelas.

Missas, rezas e giras são antes de tudo formas de sociabilidade e podem ser consideradas simbolicamente. O mesmo vale para as imagens, sejam elas exógenas (exteriores) como as imagens cristãs e a iconografia da MPB, ou endógenas (interiores), como o Caboclo e as personagens dos romances.

Scovino trabalha para libertar imagens dos contextos originais e extrair de rituais religiosos a matéria-prima da arte relacional. As formas tradicionais de sociabilidade parecem mais humanas em contraste com a coisificação do convívio nas sociedades modernas.

As próprias convenções do mundo da arte tornam-se visíveis. Em certa medida, a Bienal de Arte já havia sido confrontada com essa realidade humana quando a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi montou um “terreiro” com ex-votos, imagens de santos e de orixás para a exposição “Bahia no Ibirapuera”, paralela à 5ª Bienal (1959). Arthur Scovino menciona essa exposição como uma inspiração para o seu trabalho…”

link do artigo completo: http://bahiaciencia.com.br/2015/07/artista-oracular/

 

 

Casa de Caboclo

Simplicidade e força são as principais qualidades do caboclo, uma das entidades fundamentais da umbanda e do candomblé.

A simplicidade de articulação, tratamento e meios caracteriza Casa de caboclo, de Arthur Scovino: um ambiente em constante mudança que poderia ser tanto um espaço doméstico quanto cerimonial, em que um conjunto de imagens (desenhos, fotos e escritos) e ferramentas (livros, gases e líquidos) é reunido para auxiliar um encontro, que acontecerá dentro desse próprio ambiente.

A força de determinação e a convicção são também essenciais à obra, e se traduzem em uma ocupação permanente desse espaço por Scovino, o artista como caboclo, que, com confiança, mas também modéstia, estabelece uma situação na qual o inesperado pode acontecer (acontecerá) em estreita relação com o visitante.

O caboclo e sua casa funcionam como metáfora para o que o espaço da arte pode ser e fazer e também como uma superação de suas premissas e limitações. Juntos, eles nos permitem perceber que certos objetos, em condições específicas, podem nos afetar, que podemos nos envolver em uma troca significativa com eles e com o espaço que habitam.

A casa nos mostra ainda que uma comunhão, uma transformação, pode de fato acontecer se nos deixarmos tocar – uma transformação íntima, dentro de nós ou de nossos lares. Além disso, a coragem do caboclo talvez nos ensine a ser guerreiros, como espírito de índio, lutando pelo que é justo e bom. Ver o caboclo agindo, incorporado, dentro do local cerimonial – na própria exposição – permite-nos optar, como ele, pela inocência, uma sabedoria que pode ajudar-nos a deixar esse espaço e continuar suas tarefas, agora nossas, na vida.

Pablo Lafuente (Curador da31ª Bienal de São Paulo) http://www.31bienal.org.br/pt/post/1594

Reencenação e Fantasma

Veio a calhar a performance de Arthur Scovino, que abriu oficialmente
a 3ª Bienal da Bahia. Certamente, essa atuação foi o ponto alto da abertura da grande exposição artística ora em curso na cidade [até dia 7 de setembro].
Em se tratando de um evento que retoma um antigo trauma e um hiato de quase cinquenta anos, a performance conseguiu provocar um delicado efeito catártico. Mais do que um discurso ou manifesto artístico, ela alcançou o objetivo pretendido de emocionar o público. Na cena, o barbudo Arthur Scovino, tal qual um rei morto, foi preparado para a elevação, perante o público e autoridades.
Duas mulheres de branco colocaram as insígnias e os meios para o vôo final de um ser de olhos fechados. Na finalização do ato, a túnica acetinada e os cabelos sacrificiais se desprenderam do nível térreo da igreja de São Bento para, cruzando o olho da majestosa cúpula rumo ao céu aberto, arrancar as palmas dos participantes extasiados.
Nesse caso, as trocas entre a alma e o corpo podem ser vistas como signo da relação das artes com os objetos que compõem o universo social. A metáfora evocada foi a da aparição e liberação de um fantasma. A performance que deu a ignição da festa visava conjurar os impasses de um trauma histórico. A aparição do fantasma deve servir para uma elaboração e, quiçá, uma posterior superação do atual estado de coisas.
A ideia dos curadores da 3ª. Bienal, com essa mostra que está predominantemente pautada na arte baiana, era fazer a ligação entre o passado traumático e o presente problemático que estamos vivendo. Bem, e quanto ao futuro? Sobre o que virá pouco se pode inferir com o material que está em exibição nas alas superiores do São Bento.
Apesar da incerteza, filosoficamente, a ação artística evocou a possibilidade ritual de se iniciar algo novo, para articular um momento vindouro. Mas tal desejo não ocorre sem riscos, ou seja, tudo depende da recepção das obras apresentadas, que pode vir a gorar o ovo recém-colocado. Dessa maneira, vale dizer, a fantasia leva-nos ao sintoma. O sintoma é um complexo mecanismo afetivo que mistura uma carga passada com certas culpas confusas.
O perigo, de certo modo, está na exacerbação de uma experiência arruinada no passado, bem como na falta de crítica, o que pode ter um efeito contrário ao pretendido com a retomada da Bienal da Bahia. Se o público cair num embalo nostálgico, o tesão ficará perdido, e o efeito entra no campo das inutilidades. A proposição poderá ser recebida de forma dispersa, com o efeito de uma análise contagiada com aquela mediação normal e convencional que cansa.
Sintoma sempre quer dizer máscara. Mas não significa que participamos forçosamente de uma festa de horror e engano. Há fantasias que podem ser realizadas e reencenadas. É assim também na arte tal como na vida. Uma instalação ou uma pintura tem sempre um grau de fantasia, geram um gozo que pode proporcionar um contato com o real.
A saúde da Bienal estará em identificar os fantasmas e no tratamento que se poderá dar às questões contemporâneas decorrentes. As escolhas e os modos de identificar os mesmos devem acender a discussão. Quando a linguagem aterriza na sensibilidade social, a liberdade e a criação são conquistas que acontecem com o trabalho e o combate no plano das ideias. Isso é urgente.
“A Reencenação”, nome dado à mostra na igreja de São Bento, elabora a memória das artes visuais baianas das últimas décadas. Ali a arquitetura torna-se, ao seu modo, um lugar da memória e a mostra oportuniza o registro histórico. A participação de um grande número de artistas, que vai da geração de Juarez Paraíso à de Almandrade e à de Pedro Mariguella, ajuda a tranquilizar certas expectativas. E apesar de faltar um conjunto mais harmônico na mostra, o que foi apresentado é o suficiente para que se aceitem as diferenças e limitações de recursos.
Como se pode esperar numa exibição dessa natureza, a mostra instalada no Mosteiro de São Bento é parcial. Mas a particularidade do seu arranjo não configurou uma condenação. Ela dá testemunha de que os traumas culturais locais que produziram uma crise estão sendo enfrentados. O recuo, que se escondia por trás de mal-entendidos, vem a público para ser discutido.
Assim, de posse de algo que se recolheu com o acontecimento histórico, pode-se avançar outra vez. Mas é óbvio, os registros e a exposição de signos, em grande vulto retrospectivos, não explicam as coisas por si só. A memória é operação interpretativa e não o mero banco de dados. Essa contradição entre presente e passado é a questão colocada ao espectador da mostra e que somente ele pode cumprir.
O evento cria a oportunidade de se dramatizar os componentes de castração e privação vindas do trauma da bienal anterior. O vazio deixado, que permanece em aberto, tem uma forte qualidade especulativa. As produções da memória compõem o arco que vai dos recortes de jornal até o pedestal de mármore branco. No plano subjetivo, é uma fonte secreta e íntima, sempre estará à espera de um endereçamento. A fantasia produz um gozo escondido, que se infiltra nos procedimentos criativos, podendo ser tanto deslumbrada como trágica, a depender do olhar que ali se produz.
Conseguirá a exposição espantar o fantasma? A 3ª. Bienal se constituirá num divisor de águas? A sorte está lançada, mas, ao fim, qualquer mudança dependerá da participação dos espectadores e das crises levantadas pelo evento. A expressão voltar ao fantasma é bastante redundante no mundo da arte. Assim o é, de tal modo que, no final da noite de abertura, misteriosamente, a performática túnica havia descido e pairava no chão do São Bento.
#
Texto do Professor da UFBA Francisco Antônio Zorzo publicado no jornal “A Tarde”, Salvador, em 10 de junho de 2014.

Site da Bienal da Bahia: http://bienaldabahia2014.com.br/

A equipe de curadores da 3ª. Bienal da Bahia é formada por Marcelo Rezende, Ayrson Heráclito, Ana Pato, Alejandra Munoz e Fernando Oliva.

——————————————————————————-

 

Quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Expondo-nos, Arthur Scovino.

Eis que Nhanderudson nos leva pelas mãos – ou pés, vai saber – e nos coloca diante de uma arte desconstrutora de signos, com borboletas, jacarés e partes íntimas da anatomia humana, que falam mais de quem as vê do que de si próprias.  São fotografias postadas em um conhecido site de compartilhamento de imagens, entre 2006 e 2012, selecionadas para a mostra  – Nhanderudson: numa velocidade estonteante. O discurso curatorial “alter ego” de Arthur Scovino vai do óbvio ao subjetivo, dependendo dequais portas comunicativas serão abertas pelo público. A ontogênese artística é um conflito identitário sobre suas origens, tão brasileira ao se afirmar italiana, indígena e outras mais.Com isto em mente, passeia por conceitos sócio-antropológicos e besteirol saudável, sem a costumeira pretensão acadêmica tão vista em exposições de arte contemporânea. As relações linguísticas e visuais presentes em algumas obras tabulam com o discurso antropofágico quase que automaticamente, de tantos mergulhos do artista no Tropicalismo. A elegante e disfarçada provocação de cunho social, a única constante em suas produções artísticas até o momento, aqui aparece mais contundente, pois as imagens só são plenamente fruídas quando nos desnudam dos preconceitos. É a exposição que captura pela irreverência e se despede com o incômodo. Ao terminar de ver a coletânea cabe se perguntar o quanto de brasilidade  vive em nós, em corpo, em pensamentos, e se o que estamos “expondo” de nós realmente apresenta quem somos.

Aila Canto – Coletivo Maria Vernissage

http://mariavernissage.blogspot.com.br/2013/01/expondo-nos-arthur-scovino.html

 

_______________________________________________________________

Salvador, setembro de 2012

Levando os elepês de Gal para passear…, produção do artista visual Arthur Scovino, se apresenta como uma das mais recentes e inovadoras expressões da arte contemporânea da Bahia. Scovino nasceu no Rio de Janeiro e decidiu viver na capital baiana pela paixão que sempre nutriu por estas terras e pelo contexto histórico-cultural aqui forjado.

Obra caracteristicamente contemporânea onde arte e vida fundem-se a cada passeio com os elepês da cantora Gal Costa, a ação Levando os elepês de Gal para passear… “consiste basicamente em algo que não cabe em mim sozinho (Scovino)” e por isso mesmo foi compartilhada através de convites para inter-AÇÕES diversas (Estética relacional, Nicolas Bourriaud), em diferentes lugares: Escola de Belas Artes da UFBA, praças e ruas de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Argentina, New York, Portugal, interior da Bahia, interior de nossas casas e tantos outros espaços.

O performer atualiza o conceito de performance art e até mesmo o de performance expandida quando apresenta elementos próprios de seu universo criativo/afetivo em desdobramentos diversos e simultâneos – fotografias, videoarte, pinturas, desenhos, esculturas, instalações, arte digital, música, literatura, outros – num trânsito entre o real e o virtual. Durante os sete meses de passeios com os vinis (entre maio e dezembro de 2011 quando Gal Costa lançou seu recente álbum Recanto), os limites entre público e privado; artista e cidadão comum; sujeito e objeto foram redimensionados pelo criador e demais internautas que pass(e)aram pelo seu blog totalizando, aproximadamente, 25.000 acessos.

Nesta Sociedade do Espetáculo (Guy Debord), a “profecia dos quinze minutos de fama” propagada pelo artista pop Andy Warhol é cumprida nos reality shows da TV e na rede mundial de computadores. Quando acessarmos as imagens de Scovino com seus elepês, durante um “rolé virtual”, partiremos da esfera ordinária da vida em direção a um universo poético ímpar onde a comunicação humana e a presença “perform-ATIVA” do outro são imprescindíveis para a construção de uma arte viva, aos vivos, no aqui e agora.

Enquanto Gal segue nos “en-cantando”, Yemanjá, da Baía de Todos os Santos, esboça um sorriso e dá as boas-vindas à poesia de Arthur Scovino.

José Mário Peixoto Santos – Zmário. Performer e pesquisador da linguagem artística Performance. Mestre em Artes Visuais (Teoria e História da Arte) pelo PPGAV-EBA-UFBA.

________________________________________________________________

03/08/2011

 É um tempo de gerúndio…

E Arthur Scovino, estudante de arte sabe bem disto. Carioca, 30 anos, escolheu a Universidade Federal da Bahia para fazer o seu curso de Belas Artes.

Fazendo o caminho inverso dos “Doces Bárbaros”, veio da baía de Guanabara para a baía de Todos os Santos.

Tive o prazer de tê-lo como aluno na disciplina Pintura I no semestre 2011.01, onde com  um desempenho exemplar, concluiu o curso obtendo a bolsa PIBIC (FAPESB).

Realizou na disciplina uma obra pictórica com  matriz na performance,   onde o corpo em movimento reúne a vida corrente em instantes poéticos. Os instantes poéticos de Arthur  reinventam a realidade, convidam a reflexão e caminham transitando e experimentando  linguagens distintas.

Arthur  está literalmente caminhando  na vida e na arte com vitalidade, compromisso e paixão.

Não poderei aqui deixar de  referenciar o seu último trabalho onde ele carrega, para todos os lugares que vai,  os vinis da cantora Gal Costa. A  cada dia, escolhe uma das capas  à frente da pilha, contextualizando  o lugar que irá. Instaura assim a obra de arte como um Acontecimento atemporal. Este conceito de Acontecimento vem de Gilles Deleuze (2007), para quem o acontecimento está na produção de sentido, está no sujeito. É um bloco de sensações, de afectos e perceptos, que contém um mundo em si. Assim,  Arthur vai explorando  um campo  onde incidem muitas  possibilidades e probabilidades. 

 O registro da sua caminhada reflete um tempo que ele está fazendo existir ilustrado em um diário em blog interativo http://elepesdegal.blogspot.com/.

Mas, como diz a letra da canção “Dê um role”, de Moraes Moreis e Galvão, gravada por Gal em 1971: “enquanto eles se batem/ Dê um rolê e você vai ouvir (…) Eu só tô beijando o rosto de quem dá valor/ Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis”….

Então, escuta o Ary Barroso , Arthur, e segues caminhando em busca do “Sol Negro” …

(…)

“Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Pra mim!

Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor

Quero ver a sá dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim!…”

Viga Gordilho. Artista, Mestre em Artes pela EBA – UFBA, Doutora em Artes pela ECA – USP, professora Adjunto IV do Departamento I – História da Arte e Pintura EBA / UFBA, Docente – pesquisadora no PPGAV – Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da EBA / UFBA

_______________________________________________________________

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s